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cidade de sombras

 

 

Depois da contribuição com o trabalho da Natalia Richert, designer curitibana fazendo mestrado de ilustração em Portugal, algo de urbano aconteceu no nosso processo criativo. A formação de uma cidade se deu naturalmente, eu e você povoamos uma cidade imaginária e construimos à nossa maneira, uma nova metrópole. O concreto mais uma vez apontou por aqui. Esta coleção não foi lançada oficialmente, ela aconteceu. Talvez a construção da “praça de bolso” e a maneira como foi se dando, me influenciou a criar uma coleção assim. Checando nos arquivos da Heroína – Alexandre Linhares e revisitando o nosso blog que comunica diariamente, encontrei a postagem da frase: “Provisoriamente  estamos chamando de cidades fantasmas, mas isso ainda não é certo. Nada é certo, nem a sua formação. A forma urbana vem nos atraindo, mas a ‘coisa’ da urbe, não. Tudo é errado, tudo é perigoso, tudo é divino maravilhoso.“ e também “Foi o trabalho com essa técnica que abriu espaço para a construção da cidade, para repovoarmos espaços-fantasmas. Tem algo de comunicação marginal nos meus olhos, da colagem de cartazes em locais inapropriados. A gente trabalha o ano inteiro por um momento de sonho, pra tudo se acabar na quarta-feira.” 

Depois eu descambei numa viagem, como da construção do espaço rural que temos acompanhado e mais uma frase foi postada: “na quadra 1, todos os imóveis são feitos com tijolos artesanais queimados ao sol. o barro é do próprio terreno e já vem com cartazes colados. não é vandalismo, é expressão humana.”

 

E numa das últimas frases, quando a coleção foi esvaziando das araras: “Adentrando um pouco mais nas ruas estreitas da cidade, encontramos um galpão abandonado, cujo espaço foi revertido num conjunto habitacional de kitnets para casais sem filho ou para pessoas que moram sozinhas. É um espaço menor - mas não importa o tamanho, importa sim com quanto amor você vem no coração! Vamos habitar a cidade e espantar os fantasmas? Vamos preencher os espaços vazios com amor?”

 

Assim foi “cidade das sombras”, a 32ª coleção da Heroína – Alexandre Linhares