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CONEXÕES ANCESTRAIS: O PORTAL DE ANA PENSO (por Marcel Fernandes)

Nos últimos anos Ana Penso mergulhou em uma busca incansável pelas matérias-primas, urdindo um compromisso de valorizar e fomentar a destreza e a riqueza dos trabalhos em fibras naturais, produzidos por artesãos locais. Essa pesquisa resultou na magistral obra "Portal", que transcendendo materiais, ecoa uma mensagem de esperança e renovação, lançando uma luz sobre o futuro ancestral que nos aguarda.


Esse contraste entre a leveza das fibras naturais e o peso do mármore, surge da parceria entre a designer Ana Penso e a Michelângelo Mármores, que possuem em comum a cidade paranaense de Cerro Azul, onde fica a jazida de Mármore Branco Michelangelo e, também, onde se concentra o coletivo de artesãos parceiros da artista.


As fibras naturais desempenham um papel vital na carreira da Ana, não apenas pela singularidade de suas propriedades físicas, mas também pela profunda ligação com as raízes ancestrais e a história cultural. Desde tempos imemoriais, os seres humanos têm entremeado essas fibras em obras de arte, criando tecidos, cestarias, e esculturas, ressurgindo agora nas tessituras naturais que bailam sobre o espaço expositivo.


A artista nos conecta com técnicas e tradições transmitidas através de gerações, preservando e enaltecendo a herança cultural de nossos antepassados. O futuro se enraíza no passado, e esta premissa já se manifesta nos grandes eventos artísticos contemporâneos.


Em contraponto à delicadeza das fibras, Ana trabalha também com o mármore, um dos materiais mais reverenciados na história da arte. Sua beleza atemporal, durabilidade e maleabilidade o tornam uma escolha icônica para escultores e arquitetos ao longo dos séculos. Desde a antiguidade até os dias atuais, o mármore tem sido moldado para criar obras impressionantes que ecoam a grandiosidade da humanidade.


Na instalação "Portal", os castiçais em mármore esculpidos à mão constituem uma homenagem à história bíblica. Essas peças não apenas ativam um significado simbólico profundo, mas também representam uma conexão visceral com a fé e nos instigam à reflexão sobre como a arte estabelece pontes entre tempos, povos e dimensões.


Ana Penso nos conduz a uma profunda reflexão sobre a coexistência do eterno e do efêmero na mesma obra, infundindo vida ao ambiente enquanto esculpe os intrincados diálogos entre as matérias. O desafio de sustentar a tensão do contraste é abraçado por Ana com uma maestria incomparável. Seus trabalhos se entrelaçam por meio de um jogo sutil, onde mármore e fibra natural se erguem majestosos, sem hierarquias, como duas forças em equilíbrio. Ambos representam um propósito único: guiar o espectador através do portal para um futuro ancestral, desvendando um novo-antigo caminho diante de nossos olhos. (fotos: Divulgação)


Marcel Fernandes, outono de 2024.



Marcel Fernandes é artista visual, ceramista e poeta, autor dos livros "O Cochilo do Céu" e "Kepler-186F". É também Conselheiro Municipal de Cultura em Antonina, representando as artes visuais, cidade onde nasceu e reside.









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