“Socorro! alguém me dê um coração”

Atualizado: 20 de jun. de 2021

Poema de Alice Ruiz é inspiração para a nova coleção da marca H-AL


socorro (ô) sm. 1. Ajuda ou assistência a alguém que se encontra em perigo, necessidade, etc. Interj. 2. Para pedir auxílio.


Os artistas têxteis, performers e estilistas Alexandre Linhares e Thifany F. (H-AL) lançam a coleção “Socorro!”, inspirada na obra da poeta curitibana Alice Ruiz. Mergulhando nas delicadezas possíveis do tempo presente, os artistas fazem do poema uma obra-manifesto cuja trama é transcriada através do bordado. A cada peça da nova coleção – atemporal -, um verso do poema é bordado e ressignificado para os dias de hoje. As peças estão disponíveis no site da H-AL e na nova loja da marca, no Centro – Curitiba, com atendimento pré-agendado.



Nesta primeira parceria com Alice Ruiz, a marca elege uma das letras mais viscerais da poeta, composta em 1986, gravada e musicada por Arnaldo Antunes e lançada por Cássia Eller, Gal Costa, entre outros importantes nomes da MPB. Entre as vozes paranaenses, a canção ficou conhecida na interpretação da cantora Rogéria Holtz, uma das principais intérpretes da poeta. A paixão de Alice Ruiz pela linguagem se repete na coleção têxtil da qual se destacam duas peças. De um lado, um colete conceitual com traços de alfaiataria. De outro, uma jaqueta corta-vento no tecido Vitra, cuja textura se assemelha ao papel. As duas peças de sobreposição, ambas com o bordado “Socorro!”, podem ser compreendidas ainda como uma forma de abraço. A poesia aquece.



Em seu lote, a coleção “Socorro!” se desmembra em peças costuradas em tecido branco com sutil transparência sob bordado preto e vice-versa, cores que remetem às páginas de livros e à tinta impressa. Além das peças, Alexandre Linhares e Thifany F. abrem o ateliê para criação de itens personalizados para cada cliente, ou seja, é possível escolher o corte e o verso preferido do poema para que os artistas criem uma peça sob medida. “Nesta coleção, trazemos a leveza do território da poesia mais próxima ao corpo. O poema é tatuado na pele. Este olhar poético é a nossa ferramenta de enfrentamento para este momento sensível no qual estamos vivendo” explicam Alexandre e Thifany.


SOCORRO! (Alice Ruiz)

Socorro! eu não estou sentindo nada nem medo, nem calor, nem fogo não vai dar mais pra chorar nem pra rir

Socorro! alguma alma, mesmo que penada me empreste suas penas já não sinto amor nem dor já não sinto nada

Socorro! alguém me dê um coração que esse já não bate nem apanha por favor, uma emoção pequena qualquer coisa que se sinta

tem tantos sentimentos deve ter algum que sirva

Socorro! alguma rua que me dê sentido em qualquer cruzamento, acostamento, encruzilhada, Socorro! eu já não sinto nada

O trabalho da marca, lido inicialmente no campo da moda, se transfigura num intenso emaranhado de relações que integra o campo expandido da arte têxtil. Ao longo de 14 anos de atividade, os artistas desenvolveram uma linguagem traduzida em "peças de arte vestíveis", transpondo poéticas em tecidos. Balizada nos parâmetros de Eco e Slow design, a H-AL é especializada em costura feita à mão, bordado, figurinos cênicos e reutilização de matéria-prima da indústria, especialmente resíduos de tule de vestidos de noiva, que caracteriza uma das peças mais delicadas da coleção.



Com os trabalhos configurados como manifestos, desfiles como performances e catálogos tratados como livros, Alexandre Linhares e Thifany F. passaram a assinar também figurinos de teatro, cinema e espetáculos de música fazendo parte da história das artes em Curitiba. Cada coleção, tratada com a intensidade de uma obra de arte, faz dos artistas importantes personagens na arte têxtil da cidade. Com 4 peças pronta-entrega e uma infinita possibilidade de combinações à moda do cliente, “Socorro” é uma intervenção poética urbana num diálogo direto entre a moda, as artes cênicas, a literatura e a música, um dos traços essenciais da marca H-AL.



Além da coleção “Socorro!”, a H-AL comercializa peças da coleção “Casulo”, inspirada no nascimento do primeiro filho do casal. A H-AL fechou por um período as portas da loja física localizada na região central de Curitiba em maio de 2020 e investiu nas vendas on-line. Agora, reabre as portas em novo endereço, dando continuidade ao trabalho de colocar a moda como experiência do sensível, na contramão da produção serializada imposta pela indústria.

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Serviço:

H-AL – Alexandre Linhares e Thifany F.

Coleção “Socorro”

Venda on-line e atendimento presencial (com hora marcada) na loja (Rua São Francisco, 179)

www.h-al.com

Fale com a H-AL: (41) 98826-2375

Fotos: Cris Scutti fotografa Alice Ruiz Texto: Juliana Cortes

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SOBRE ALEXANDRE LINHARES

Alexandre Linhares Neto, conhecido como Alexandre Linhares (Curitiba, 23 de julho de 1983) é estilista, eco-designer, performer, video-maker, figurinista, produtor e professor. É considerado "a grata revelação da moda de nosso tempo" pela jornalista Adélia Maria Lopes e "um dos mais importantes artistas visuais de Curitiba" pela galerista e marchand Zilda Fraletti. Seu trabalho é visto como uma referência no pensar moda e um exemplo de trabalho genuinamente autoral.

A carreira na moda começou em 2002 quando foi premiado na categoria Estilo Brasil na Francal Top de Estilismo, em São Paulo. Criou, com Lino Jr., a marca NUvem em 2002, residente no Mercado Mundo Mix e na loja Versus Brasil. Atuou como diretor criativo da empresa até 2003 quando passou a experimentar outras superfícies planas e rígidas como matéria-prima de outdoors e placas. Apresenta em 2005 "Merda, amor, morte" no Lola Café, com vinil adesivo, jornal e fotos suas nu, em curadoria de Magno Montreal e no ano seguinte "Mil Vezes Maldita" no Nick Havana, uma experimentação em assemblage com curadoria de Fernanda Ochetski.

Em 2007, conclui o curso de Design de Produto na UFPR e especializa-se em Eco-Design em 2015 pela Escola Design ao Vivo.

SOBRE THIFANY F.

Thifany Noelle Faria, conhecida como Thifany F. (Paranaguá, 12 de fevereiro de 1987) é uma administradora, gestora, estilista, performer, figurinista e maquiadora. É facilitadora de meditação e estudos budistas tibetanos e tem como tema de sua pesquisa a filosofia tradicional, contemporânea e a contemplação, com foco na infância, ancestralidade e saberes femininos. Tem a poesia e a fotografia como suportes e síntese do seu pensamento.

Abriu sua primeira empresa em 2003 e recebeu o título de slow-designer em 2016. Estudou e desenvolveu maquiagem e visagismo a partir de 2009, quando abriu estúdio e ateliê de fomento e discussão da elaboração técnica com outros profissionais de beleza e autoestima. Desde 2010, passou a ser assistente de criação e estilo da marca Heroína.

A partir de 2016, Alexandre e Thifany passam a assinar juntos as coleções da Heroína e transacionam o nome Heroína para H-AL, em 2017. O primeiro trabalho oficialmente assinado pelo casal foi a coleção "o Rei está Nu", de 2016, apresentado no Moda Documenta, a convite da Universidade Federal do Paraná - UFPR. Desde então, outras 11 coleções já foram lançadas.

SOBRE ALICE RUIZ por Carô Murgel

Poeta e haikaista, Alice Ruiz nasceu em Curitiba (PR), em 22 de janeiro de 1946. Começou a escrever contos com 9 anos de idade, e versos aos 16. Aos 26 anos publicou pela primeira vez seus poemas em revistas e jornais culturais. Lançou seu primeiro livro aos 34 anos. Alice publicou mais de vinte livros, entre poesia, traduções e prosa. Lançou, em 2005, seu primeiro CD, o Paralelas, em parceria com Alzira Espíndola, pela Duncan Discos, com as participações de Zélia Duncan e Arnaldo Antunes, um de seus principais parceiros.

Antes da publicação de seu primeiro livro, Navalhanaliga, em dezembro de 1980, já havia escrito textos feministas, no início dos anos 1970 e editado algumas revistas, além de textos publicitários e roteiros de histórias em quadrinhos. Alguns de seus primeiros poemas foram publicados somente em 1984, quando lançou Pelos Pêlos pela Brasiliense. Já ganhou vários prêmios, incluindo o Jabuti de Poesia, de 1989, pelo livro Vice Versos e o Jabuti de Poesia, de 2009, pelo livro Dois em Um.

Tem poemas traduzidos e publicados em antologias nos Estados Unidos, Bélgica, México, Argentina, Espanha e Irlanda, tendo sido também convidada como palestrante na Bienal de Lenguas da América no México e na Europalia Brasil em Bruxelas.

Em 1968, Alice Ruiz se casou com o poeta Paulo Leminski (1944-1989), com quem teve três filhos.



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