vez por outra

Pedaços de histórias de amor, tules que sobraram dos véus das noivas, poesia de Benito Rodriguez aplicada sobre novas histórias. Peças disponíveis na H-AL.


(Grupo Fato, com poema de Benito Rodriguez)


Eu não sei Vez por outra eu não sei porquê Olho pra vida assim Como alguém que assiste a um filme repetido

Sou capaz Até de antecipar finais Desde o começo sei Decifrar catástrofes e festas

Sombra e luz Vão sem pressa compondo azuis

Toda tarde, cada manhã Artimanhas em círculos


Tal e qual Vida parte seu mel, seu mal Dor e graça, irmãs rivais Mundos ermos e íntimos

Mas pra mim Esse sentimento é assim Indefinido humor Agridoce mescla enfado e nostalgia

Pode ser


Que eu me engane, eu não vou dizer Que surpresas não possam Saltar das mangas longas do destino

Como o vão Que há de abismo entre o fruto e o grão E um ao outro se guardam em si Num espaço tão mínimo

Espiral

Ciclo imperfeito, sem final

Duelo de espelhos a inventar Seu espaço infinito

Viajar Ir bem longe, aonde quer que eu vá Quase não leva além Toda estrada traz de volta à mesma esquina

Ah, meu bem Não me leve a mal, isso é sem

Qualquer malícia, sim Vez por outra fico assim meio cansado









e como bônus-track:


Deus Há de Ser

(Pedro Luis)